quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Um dia normal

Um dia normal

Os loucos já estão na rua

Minha vida parece nua

Despida

Um dia normal

As luzes já se apagaram

O sol brilha forte e raro

Faz muito calor

Aquece essa dor

Que eu não sei

Mais sentir

E talvez

Nem saiba sorrir

Presse dia

De uma alegria que dói

Nem saiba sorrir

Prum destino

Qualquer

Nem saiba saber

Da verdade

Que envolve

Essa letra

Que absorve

A vida

Que entende a vontade

Que sucumbe a partida

Que inteira a saída

Quando tudo se der

E esse sol abaixar

Quando ao lado tiver

Você

Vai entender

Você

Compreenderá

Mas nunca verá

E virá

Em um dia normal

Um dia normal

Os loucos já estão na rua

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Eu quero dizer algo que eu ainda não sei

Eu quero dizer algo que eu ainda não sei

Umedeço os lábios pedindo música

Mas só vejo beijo de quem não me da bola

Pra que olhar pro céu?

De lá não vai cair

Fazer esse papel

Que é pra boi dormir

Vão todos a merda

Escolham seus pares, e vão

Vão embora

O alerta

Foi dado não tem

Confusão

Não

Foi tiro na testa

Foi bala perdida

E explosão

Tão

Tão perto da festa

Do lado da contradição

São

Levados a beça

Nascidos de um mundo de nãos

A espera do sinal qualquer

Levado a ter a impressão

Que sujo eu estou mal vestido

Não tem a menor condição

De ler o que escrevo ou risco

Com a mesma sensação

De esquecer a rima

De lembrar da cisma

Do início ou não

Eu quero dizer algo

Que eu ainda não sei

Mas paro antes que seja falso

Pensar tudo o que já pensei

Portanto, eu não sei

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Eu passei despercebido

Eu passei despercebido
um tempo inteiro
eu vim viver
eu vim voar
Justo, óbvio
concretizado
justo tudo
Todo ato
Fundo imundo
imaculado
Parei de escrever
Parei com linha pontilhada
parei
e na parada
parei de ver
Não sabia eu que era
um capaz
de tanta espera
que passei
Sinto muito Caroline
sua guia enguiçou
Sinto nada caro Jaime
Não rolou
Quem olha praquilo que lhes realmente importa
somente se olha por além do querer
aquele que segue com fé e aposta
só tende a ganhar e nunca perder
pois se ganha na fossa
um resquício de lucidez
que é próprio de quem já entendeu como se vive
Tem gente optando a toa em sofrer
e tem gente lutando contra todos
pra ser feliz, talvez
Sinceramente,
como fazer o pudim?
Doce deleite
com o perdão da ressalva,
mas não te conheço

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Poema de fim de tarde

Eu nunca sei por que eu falo

Mas não calo

Isso eu sei

E posso afirmar

Eu digo que tudo

Que aqui digo

Não propriamente

Sigo

Porque não consigo

Parar

Vou falando

Vou seguindo

Vou inventando

O que eu quero

Vou dizendo

Vou sorrindo

Almejando

O que espero

E olha que se eu disser

Que não sei ao certo

Mesmo querer

Ce num olha pelo avesso

Só enxerga

Algum começo

Sem querer ser desigual

Sem destino

Sem papel

Sem árvore de natal

Papai Noel

Sente!

Vê!

Não tem embrulho

Não tem orgulho

Só tem vida

Tem vida

À vista!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Em algum lugar qualquer

Ouvindo
Zunindo
Num som compassado
Sentindo os sentidos
Lesados
Pelo passado
Construindo uma leve
Insensatez
Cambaleante
Vibrante
De quem não cabe
Dentro de si
Eu não caibo
Dentro de mim
Um dia desses
Eu me acoplo
Sintonizo
Esse dial
Chiado
Boto música
Boto gosto
Boto blues
Harmonizo
Radicalizo
E foco
Porque eu adoro o tele transporte

terça-feira, 21 de julho de 2009

+ que isso

Sente a sanha

Do cansaço

Sente o baço

Que dói

Quando corre

Dói

Quando cai

Mente pr’esta lanha

Se a intanha

Abocanha

Presa

A manha

Se corrói

Rói

Espalha

Espanha

Espanca

Porque desperta

De um longe

Perto

Aperta

O REW

Volta

Pros versos

Que não me lembro

+

sábado, 11 de julho de 2009

Iluminar

Eu quero ver passar

O azul do céu no azul

Do teu olhar

Eu quero ver passar

O sol

Raiar

No amanhecer

Do teu viver

Quero rever

O sol raiar

Queimar

Clarear

Nos aquecer

Do frio que fez

Você sair

Sem ter porque

Eu quero ver

Você

voltar

Sentir

Sonhar

Que a vida

Pode surpreender

É só querer

Querer chegar

A algum lugar

Se iluminar

Não importa os caminhos

O que importa é seguir

É melhor pensar nos sins

Do que dar razão aos nãos

Já é tempo de se erguer

E não deixar para trás

A vida que forte bate

Dentro do coração

Eu sempre acreditei

Ser capaz

Mas vejo que você

É bem mais

Eu quero isso pra mim

Quero sim

Viver

Feliz

Você

Me traz

Amor e mais, bem mais

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O porquê de tudo

Porque se eu grito
É pra dizer que tenho voz
Porque se eu peço
É pra mostrar o meu caráter
Porque se eu choro
É pra te dar a minha água
Porque se eu caio
É pra sentir que tenho chão
Porque se eu quero
É pra não mais lidar com não
Se eu afirmo
Me comprometo com a verdade
Se definho
Jogo fora a vaidade
Quando digo
Sinto embora ir
Piedade
Eu suplico
Porque se só fico
É vitória da saudade
Eu bati o coração
Trombei o meu com o seu
Eu não tinha seguro
To pagando o prejuízo
Porque se eu faço
É pra provar “quinda” te amo
Se eu minto
É pra tentar te convencer
Porque se eu amo
É pra provar que tenho alma e miséria

terça-feira, 16 de junho de 2009

Apenas

Esvaziei por dentro

Gotejei eterno

Me infiltrando pelas frestas

Sem chegar a nenhum lugar

Apenas

segunda-feira, 8 de junho de 2009

De quando eu sou subjetivo

Eu contemplei

Pela janela

Do outro quarto

A imagem

Antiga

A mesma

Da infância

E a sete copas

Da rua abaixo

Vermelhinha

Me emocionei

Eu respirei

O mesmo ar

Que eu tinha antes

O que às vezes

Não deixo entrar

Eu sou um ser

Que compra

O inusitado

Eu moro

Ao lado

Da minha lucidez

Eu cheiro

E choro

Eu leio

E fujo

Num pensamento

An passant

Eu coleciono subjetividades

As mais subjetivas

Idades

Coisas

Caixas

E desejos

Eu fico feliz

Ao ver uma árvore

Vermelhinha

domingo, 31 de maio de 2009

Até quando avassalado?

Até quando?

Eu queria te dizer

Isso

Até quando isso?

Eu queria te dizer

Isso que me envolve

A ponto

De me remeter

Somente por sua voz

Aquela que encontro

Em qualquer lugar

Aquela que é dita

Falada

Em rede nacional

E essa divisão me mata

E acredite

Eu ainda me vejo

Vivendo com você

Amando

Sorrindo

É por isso que fecho os olhos

Alimento minha mente

Sufoco minha voz

E me ponho a variar

Eu sou um ausente

Nesse instante

Nesse rompante

De insanidade

Ora,

Você nunca será

Nunca

E isso é cicatriz

Que eu vejo todo dia

Lamentando

Sem esquecer

Ainda sonhando

E condenado

Por que você?

Ora, você

Você se manteve no seu direito

Ninguém é obrigado

A gostar

Nem eu

Por isso cesso

Paro, penso

Por isso

Entendo

Por isso

Choro

Rasgo

E traio

Me traio

Juntando os farrapos

Os rasgados

Pra sentir

Uma ilusão

De preferência

E é assim

Que me provo

A insensatez

Que é ser

Essa pessoa

Que se deixou

avassalar

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Seguindo a tendência: mania de complicar

Eu continuei

Ao som do violino

Ao som de mim

Menino

Eu vaguei correndo

Eu suei ardendo

Em brasa

A seco

Em meio

A vastidão

Eu continuei sedento

Eu como um rebento

Triste por ser forasteiro

Por ser de outro onde

Eu misturei as bolas

Fundi

E na fusão de crânios

Cérebros

Eu me perdi em tanta

Terminação

Nervosa

A sensação

De ser triste

De ser

Eu não parei

Com aquela velha mania

Eu só parei

De falar sobre você

Eu me atirei na dor

E pensei que

Quando quero

Eu saio sim

E retornei

A mim

Sem querer

Porém querendo

Uma intimidade

Que me entenda

Me conduza

E compreenda

Que é fácil viver

Mas eu tenho mesmo a tendência de complicar

sábado, 16 de maio de 2009

Sim é o momento

Ever

É assim que sempre

Eu bem contente

Vendo a gente

Se entender

É assim que quero

Quando te espero

Sorrir pra mim

Eu sou mesmo

Esse entregue

Esse cara

Que você conheceu

Nem sou muito diferente

Muito embora

Às vezes pense

Que sou mais

Do que poderia ser

O que é lindo, no entanto

Mais que seu sorriso

Aquele

De canto

É te ver

É te sacar

Tem lugar aí no peito?

Tem espaço?

Com todo respeito

Deixa eu entrar?

Sim

E eu quero assim

Bem perto de mim

Como quem descobre a vida

Ou como

Quem revive

Ela

A vida

Com verdade e sentimento

Diz que é o momento

De se deixar

Se deixar

É nosso

Ton

domingo, 19 de abril de 2009

Curtindo o máximo do excêntrico por m²

Eu fragmentei
Eu não loguei
Minhas contas
Minhas partes
Minhas varizes
Eu não ganhei
Por esperar em pé
Eu solucei
E bocejei
Ao mesmo tempo
Porque
A dor de quem espera
É ver o tempo passar
Sem um pingo de realização
E a mão que pesa sobre a cabeça
É minha própria mão
Minha sentença, ilesa
Eu agüentei calado
Eu me estuprei
Me rendi
Mazela minha
Miséria minha
Matéria minha
Eu suprimi
Colágeno
Tanto sorriso
Pra nada
Eu ouvi Caetano
Eu cantei Bethânia
Eu ouvi Caetano
Ouvi Caetano
Ou vi Caetano?
Lobão tem razão
E eu não
Lobão
Bobão
Agarrado
Em passado
Degustando
O gosto
Ligeiro
Gosto
Pelo excêntrico

terça-feira, 7 de abril de 2009

Estava Escrito Mesmo

Eu vi mesmo
Que você
Não ta mesmo
Nem aí pra mim
E eu mesmo
Como mesmo
Desmenti
Tudo dito antes
Tudo feito
Eu me menti
Eu olhei pra sua testa
E nela escrito
Estava algo
Minha vista
Embaça
E o alvo
Foi minha mente
Incompreensão
Mas de repente
Que esse algo
Desembaçado
Claro, triste estado
O meu
Constatação
Escrito mesmo
Estava o quanto
Mesmo eu sendo
O mesmo
Tanto
Apego e ilusão
Estava escrito
Que não era
Estava escrito
Que já era
Pra mim
Mesmo
Não era pra ser
Mesmo eu
Querendo tanto
Como quis

segunda-feira, 9 de março de 2009

De Quando Se Confessa Sem Doer - Ocupação Poética em Vários Atos







De 16 a 21 de Março no saguão do Centro Cultural (Biblioteca Municipal - S. J. do Rio Preto)












O projeto consiste na exposição de poemas escritos por mim Homero Ferreira de uma forma contextual. O universo do poema não fica só aprisionado a escrita, mas se apropria de outras dimensões na tentativa de comunicar por diversas vias, desvendando as especificidades de cada poema, transpondo suas motivações de palavra para imagem.
No contexto geral, o todo da obra converge para o que chamo de uma confissão. Confesso porque nunca antes o acesso a essa obra foi permitido, portanto a idéia é que esses poemas sejam fragmentos dessa obra, pequenos confessionários que purgam uma existência. De volta ao fragmento/poema tento trazê-lo para um universo estético que contemple a idéia de uma obra. A analogia direta é que eu poeta sou a obra/casa e esses fragmentos a mobília que habita sob meu teto, talvez não sejam as bases estruturais e por isso escolho poemas que outrora não me eram tão importantes ou não viviam em mim significativamente (nunca deixando de significar), porém como a matéria não jaz na essência e nem por isso deixa de ser fundamental a vida me permito mostrar em imagem não o telhado ou o chão, mas sim meu espelho, meu relógio, minha estante, meu colchão. Objetos que me cativam pela posse, que compõem meu habitat.
A idéia é trabalhar com o que não está acabado, sem forma, com o que está cru. Tijolo empilhado que são células, princípio de qualquer formação e um fio que conduz oxigênio, energia, água, aquilo que é necessário para vida funcionar.
Esse trabalho é também fruto de uma extensa pesquisa acerca de todo existencialismo contido em meus poemas, um mergulho profundo em busca do afloramento de idéias visando o nascimento de um espetáculo teatral. Todo esse movimento de estudo é proveniente de minha parceria com o ator e diretor Linaldo Telles que seguramente contribuiu muito para que este conceito fosse esboçado e mais tarde amadurecido pela crítica e provocação de Jorge Vermelho.
De Quando Se Confessa Sem Doer é uma ocupação poética em vários atos, pela sua capacidade de se reciclar, se funde em artes, as plásticas, a literária. É vazão para as palavras que se tornam palpáveis, visíveis além da letra, notáveis além dos sentidos. É o corpo de tudo aquilo, ou de quase tudo aquilo que escrevi. É uma maneira de ler o íntimo. É o convite que faço a uma leitura de nós, uma vez que a existência é peça chave e está contida em cada um. Convite esse estendido a todos.






terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Comecei em você e terminei em mim

Hoje eu vi sua foto
Perna
Peitos
Pelos
Vi no espelho
Que seus óculos
Agora eram
Um mar lindo
A te afrontar
Eu te perdi
Melhor
Ao menos o ganhei
Apenas te achei
Procurando me apaixonar
Soltar o freio
E me entregar
Pra uma paixão
E foi doída
Doida
Sem nenhuma noção
Vi teu corpo branco
Que tanto
Desejei
Eu vi que alegre estava
E eu chorava
Sem saber porque
Agora eu olho
Eu me ignoro
Pois meu rumo
Mudou
Você passou
Por mim
Passou
Eu passei por mim
Me rompi
Pensando que o amor libertava
Se ele quisesse
Ele era bem capaz
Mas enfim
Eu sei que tudo isso que falo
É mais um efeito do abalo
Em que estou
Por não saber o que fazer

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Esse eu fiz pra você

Eu aqui ditando
A luta
A letra
A busca
De um criar
Eu ouvindo
Movendo
Sonhando
Sonhar que já é sim
Deu saudade
Deu vontade de falar
Pra alguém que queira ouvir
Você faz falta
Quando falta com a presença
Faz sentido
Diferença
Pra mim
Tem porque
Sei porque
Não, isso não é um reclame de saudade
É apenas um relato de como é senti-la
E isso permanece
Como aquele adeus pra não chorar
Rápido
Emocionado
De quem achou algo na frente do espelho
Foram dias marcados
Horas faladas
Vidas cruzadas
E mentes em harmonia
Na mesma sintonia
Movendo
Sonhando
Tocando onde o fundo não conhece
Ele ainda não chegou
Esse eu fiz pra você
Fiz pra você saber
Pra te agradecer
Obrigado por existir
Como a vida que é essencial a minha vida

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Para Alex D'arc












Eu que me refiro
Ao dilema
E o lema dos pressionados
Que somos agora
De um tempo guardado
Vivido
E sentido
E porque não dizer
Amado
Eu lembro
Que o semblante
Retumbante
Admirante
Salve, salve
Mãe, gentil
Supra sumo da inventividade
Criatividade
E
Alex
Seriam uma só pessoa?
Bobagem
São uma só pessoa
E primeira pessoa
Do faço
Vejo
Crio
Viajo
Sonho
Tenho
Algo que ainda não dá pra pegar
Está por dentro
Na alma
Na palma
Que tanto desenha
Um delinear de arrasar
Se eu pudesse me alongar em dizer mais palavras
Diria que essas palmas
Palmas santas
Milagrosas
São a extensão de uma vida
Plena
Intensa
Que se classifica no ousar
Ousar é mesmo sua palavra
Que não há nada
Que não possa ultrapassar
Ora, amigo, chefe, camarada
A gente sabe que a vida é uma piada
E por isso nosso caminho se cruzou
Existem peitos e dentro deles corações
Eles batem e clamam pelo amor
Eles convergem para o belo
E se somam em ações
Nós que temos nossos peitos
Temos defeitos
Mas muita arte a pulsar
Muita parte a desbravar
E muita luz pra acender
Eu que me emociono
Quando sonho
Com o seu lindo sonhar
Te vejo no topo
Te vejo encantado
Amigo
Deus ta contigo
E eu aqui
Com quem pode contar
Siga!
Quem diria hein!?
Aquele neguinho que ninguém dava nada
Olha lá!
De tão alto
A olho nu
Não se pode enxergar

Feliz Aniversário!



quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Papel de Caderninho

E esse pensamento solto
Não é fruto de um pura inspiração
Ele não sai de um broto, está envolto
Numa ligeira obrigação
Aquela que me falta
Do tempo que não aparece
Uma leitura salutar
Do lápis ou caneta
De papel ou papeleta
De um desenho
Ou qualquer um
Nem momento de paixão
Pra viver estou passando
Faço versos de vou levando
Pra não perder a inspiração
Pra não esquecer meu caro amigo
Que tanto me mostrou caminho
Meu papel de caderninho
Gratidão por aceitar
Com amor e convenção
O fruto de uma não inspiração

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Segredinho

Ensaboa boca
A sabatina
Minha retina
Lacrimeja sem parar
Eu tão grato
E a menina
Tão ingrata
Uma cretina
Não enxerga
Quer piscar
Quanta lágrima
Lagriminha
Quanta sede
Dá sedinha
De querer
Ouvir bem mais
Ouçam
Não sou eu que falo
Sou suspeito
Eu me calo
Canto
O galo
Canta
E falo
Do prazer
De ouvir
Dizer
De ouvir falar
Eu me rasgo
Elogiado
Distribuo
Obrigado
Fico todo
Inflo inteiro
Eu sou bobo
Bobo e meio
Não me agüento
Mas é segredo
Viu?

domingo, 11 de janeiro de 2009

Grande Lembrança

Senhoras e senhores; a grande lembrança!
Aqueles que foram do horário marcado
Esquecidos do dia adotado
Apagados de arquivos errados
“Notou-se o vigor?”
Foi muito, ficou-se
Zombara da velha rabuja
Agora só resta... (sem palavra)
Se emociona com a dó que sente de si mesmo
Tudo de tudo se torna muito
Pra quem a cada dia vale mais
Nada de nada
Que maçada!
Disparada
Numa estrada
Sem chegada
Amigo! Amigo! Amigooooooo!?!?!
Me arranja um cigarro?
Não, não fumo
Nem pretendo
Era só pra poder saber como é pedir um cigarro a alguém. Por aí isso é tão normal.
Que tal?
Um câncer! Um misto bem quente
Um pingo de gente
Senhoras e senhores; a grande bobagem
Foi começar esse poema louco e triste
A grande lembrança
Me inexiste!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Uso

Eu me coloco em disparate
Com essa gana que invade
O meu criar e o meu ser
Eu fiz de tudo
E nessa parte
Sou um santo que em si arde
De querer tanto poder
Hoje louco
Em toda arte
Mesclo sonhos
Ponho vida
Dou start
Pra que tudo flua e venha
Só não movo uma palha
Quando engesso
Quem não falha
Quando esbarra num porque
Mas eu sou mais eu contente
Sigo avante
Vou em frente
Eu não paro pra sofrer
Mais que sofro
Por um triz
Eu mais eu sou tão feliz
E sou triste
Pra não ser
Um monótono a vagar
Eu sou tão aventureiro
Que eu mesmo estando alheio
Me arrisco
Me aprofundo
E se afundo
Uso logo acordar
Eu uso sonhar
Uso usar
Das artimanhas
As artes
As manhas
São o que me fazem respirar
Sabendo disso
Pra qualquer que aconteça
Uma aspirina
Oue qualquer que eu julgar
Que eu mereça

domingo, 4 de janeiro de 2009

Bocas que Esperam

Olha que as noites que eu queria
De verdade eu queria
Que elas fossem noites, dias
Que elas fossem sempre
Eternas
Sempre
Mui belas
Sempre
Fatais
Olha que a tua boca
Meu viu
Ela enxergou
A minha língua
Sua língua
E nossa saliva
E nossa vontade
Olha que quem gruda sou eu
Te prendo pra mim
Daí, já era
Só meu
Aqui
Ah! Aquela noite
A noite que esperamos
Eu sei
Porém
O tempo pra nós não diz nada
Ele levou uma rasteira dessa vez
Aguarde
Que a gente aguarde
Mais noites
Dessa vez
Nem vai demorar tanto assim
E até lá
Mais suspiros
Mais sonhos
Sonhados acordados


sábado, 3 de janeiro de 2009

Sob Efeito do Vento

Um homem avistou no céu
Um viver de um algo mais
Desse dia não falou mais sobre
Sobre ele, do céu ele está sob

Da vertigem que sentiu
Sorriu, sentiu a vida latejar
Esgotar, em sentimentos, parar
Sob ele, da terra ele está sobre

Compreendido ele entre céu e terra
Entendido como um ser comum
O mundo, pra ele, ventou

E viu feliz passar seu tempo
E alegre avistou um cata-sonho, fez-se atento
Sob efeito do vento

Escrito em: 08/06/06