domingo, 21 de novembro de 2010

Dedicação Quintana

A oferenda    
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos...
Trago-te estas mãos vazias
Que vão tomando a forma do teu seio.

Eu escrevi um poema triste    
Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

(A Cor do Invisível)



Os degraus   
Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma. 
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

(Baú de Espantos)



Inscrição para um portão de cemitério
Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"

(A Cor do Invisível)



A vida    
Mas se a vida é tão curta como dizes porque que é que me estás lendo até agora?





quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ideias moram na madrugada

Por que se eu digo
Quero amor
Você me traz logo
O seu toque perfumado
Quero amor
Tem preço?
Ta com desconto,
Ou ta dobrado?
Esta noite tão sutil
Não fez frio
Não fez calor
Fez você tocar meu interfone
Me chamar de qualquer coisa
E não fazer nenhum sentido
Fez sentido não fazer
Pois fez você
Tocar meu interfone
E me chamar de qualquer coisa
Como qualquer coisa boa que pode haver
Ideias moram na madrugada
E daqui a gente é tão esperto
Tão vivo
Tão ciente que agora a gente tem que viver
Daqui de nós tudo passou
O mundo parou
A crise se foi
Nem cheque
Nem poço
Sem fundo
Cheque moço o mundo
O nosso mundo
Girando na órbita de nossos próprios umbigos

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Seguindo

Eu quero sair desse lugar comum
Abrir a porta do desconhecido
Pro novo ou pro velho
Voltar
Não quero as mesmas técnicas de sedução
Não penso que as fases passam por que eu quis
Não sei se estou em outra
Ou se apenas abafei em mim meu barulho
Tem coisas que são coisas apenas quando já não são mais
E eu não sei saber se é assim que se sabe
Fora do eixo
Porém de um equilibrio são
Adaptado
Mas com um leve desejo de estar na contra-mão
Não fiz poema pra dizer que ando mal
Nem posso dizer isso
Fiz poema pra dizer que estou vivo
Tem dias que se apegar ao seu fazer
É a melhor forma de provar algo a si mesmo
Quem não se sabe
Não se cabe
E tem mais é que caber
O mundo ta girando
E amanhã continua girando
Tando ou não tando
Você e eu aí