domingo, 8 de janeiro de 2012

Do papo

Sabe seu moço
Do bigode no dedo
Não tenho a fórmula do sorrir
Mas sei que continuo
A me contagiar
Por toda amizade surgida da minha tela
De toda honestidade
Escondida por trás dela
Do mundo ao meu redor
Do papo
Do fato de que
Nada é preciso
Além de querer
Conhecer
Prazer!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

re - ...


É que ativa uma coisa adormecida
Um sentido esquecido
Algo que foi deixado propositalmente
No fundo de uma gaveta
Não, não se trata de um poema com endereço
Trata-se talvez sim
De um poema que pra mim
Vem dizer de recomeço
Vem falar desse espaço
Vazio, preenchido de silêncio
Assim como aperta-se um botão
Basta o menor gesto para essa ativação
Aquela canção que secretamente dediquei
Você não ouviu, tenho certeza
Ela que ficou pra mim
Bateu no meu peito e mexeu
Sem permissão
Assim, descaradamente
Tanto que me fez escrever
Voltar aqui
Pra camuflar nessas palavras
Esse desengano
Essa constante sensação
Que as circunstâncias me puseram
A sentir
A vivenciar

Eu sempre quis sonhar
Com essa melodia
Então puramente só
Cantar já
E tudo, tudo sempre
Vai ter um lugar...
(Port Antonio – Bebel Gilberto)


domingo, 1 de janeiro de 2012

Quando o ano, novo chegar...


Sem saber exatamente o que sentir, chorou por dentro ao lamentar tão intenso nada. Por um momento sentiu a vida lhe dizer que seu sonho de praticidade estava então, realizado.
Escutem, pois em nenhum momento será permitido redarguir qualquer dito e feito, os desavisados não terão chance e os dissimulados sequer seriam citados, caso não fossem suas presenças tão impostas como foram.
Nem tão longe assim, mas distante suficiente para levá-lo além de si, se instaurou coisa alguma e sem cerimônias, desarranjou os sentidos dentro daquele peito de coração batido, sem efeito, sem aperto, sem happy new year.
Em síntese, se for perguntado, caso ocorra, não falará. Não dirá um só verbo, não terá um só gesto, não verá sequer um riso nervoso. Em seu íntimo a proximidade de algo como um limbo poderá se comparar ao sentimento de já ter vivido suficientemente para saber que mesmo sendo diferente, tudo é perfeitamente e ludicamente igual.
Então irá tirar seus sapatos, arrancar de si as meias, afrouxar o cinto e se recostar em algo que o acople ao conforto, tal qual o primeiro, conforto, experiência quase uterina, vai dormir.
Ao acordar saberá que desperta ao mundo mais uma vez para refazer todas as perguntas novamente.

O essencial é invisível aos olhos...
(Antoine de Saint-Exupéry)


Homero 02/01/2012

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Parece que é preciso limbar
Entrar no limbo da mente
Não reconhecer os identificável
Salvaguardar-se do real
Pra quando fluir
Fluir melhor o imaginário

Uma pausa

Pausa

De quem
Com certeza
Ainda não disse tudo
Tudo o que tinha
Pra dizer

domingo, 21 de agosto de 2011

Meu coração, eu sei porque... (talvez)


Meu coração tem um sinal de alerta pros momentos em que ele não sabe o que fazer.
Ele está sempre insistindo pra sair pela boca,
Mas todo o resto que tem por dentro lhe diz não.
Meu coração tem cara de medo em dias solitários
E cara de c
oragem quando quer se repartir em dois.
Irriga por mim e por você se precisar,
Não pensa e não quer pensar.
Você então pode achar que meu coração é burro,
Mas ele não é.
Ele apenas faz o que tem que fazer e é o que tem que ser.
Tudo porque está dentro de mim,
O que faz pensar que a culpa é minha a cada vez que ele ignora meu senso racional das coisas.


Oitenta e Nove

Esse silêncio calmo e frio
Me apavora secretamente
Um barulho ou dois
Som de ventilador
E dedos que digitam
Escolho um som
Bang, Bang Bill
My baby you shot me down
E isso passa a fazer todo o sentido
Da um status único
Pro que é pra ser teu
Um poema, um jogo de palavras
Eu
Vou agora lá atrás
É primavera
A última
Muros caem
Guerras esfriam
Fim de década
Oitenta e Nove
Assim que tudo como eu sei pode não ter explicação
Tem sentindo a vida vir
Brotar, Fluir
Sempre, embora, em vão
Me coloco a saudar e refletir
Não se assusta com essa rima
Tem mais poros meus
Que um assovio de amor
Ou flores singelas
A última flor do poeta
Nascida na última primavera da década
Essa primavera que não acabou
Continuou assim, linda
Continuo aqui, em mim
Floresceu...


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Soprando instantes

Acho que isso acontece porque é assim
Não sabia que existia a calma
Não sabia que tinha como ser assim
Outono, inverno
Como eu gosto
Não queria não saber
Mudança
Querendo
E ligar uma palavra na outra
Não ta dando
Como eu não to me entendendo
Estou sentindo
Essa novidade só pode ser boa