terça-feira, 27 de maio de 2014

Duzentos

Ventos
Momentos
Tormentos
Unguentos
Talentos
Fomentos
Proventos
Atentos
Lentos
Contentos
Sofrimentos
Corrimentos
Sortimentos
Movimentos
Cataventos
Polimentos
Assanhamentos
Divertimentos
Crescimentos
POEMA
Duzentos

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Pastiche de alguma coisa

Bando
Que dissolve
Em punho
Muito de costume
Não se atire
Ou mude
Vinho e desmazelo
Provo-te primeiro
Nem em pensamento
Vento
Vai e vem de longe
Traz o que se esconde
Perto desespero
Nem mais ver
Pelejo
Resto
Culpa
Ou carapuça
Fuça
Na tua fuça
Russa situação
No penhasco
O pé encrava
Movido baixo e cima
Mentira
Não tem rima
Não é cisma
É de fato um riacho
Profundo
Vai se transformando
Até ganhar o mundo
Tua queda
Meu desfiladeiro
Alguma coisa muda
Quando altera este ponteiro
Releio, releio, releio
E saio pra um passeio
Procuro no teu bolso
Mas só acho um tiroteio
Não veio, não veio
Bora andar
Prefiro a voz com lama
Do que não te ouvir falar

sexta-feira, 23 de maio de 2014

praticarpalavraspraentenderalteridade

palavrasquenãocabemmaisdentrodeumcontextoquenãocabemmaisdentrodeumpeitoquenãocabemmaisdentrodeumavírrgulaquenãocabemmaisdentrodemimsaltamrevoltasprabuscarfelicidadeedeverdadeeujáacheivocênãoqueromaisquererbemmaissóqueromaisquererteversaberquevocêtambémquerviverdeestardoladoassimjuntandooqueébomemnóspassandoumavidabemfazendocompanhialeaisemumauniãoeupravocêevocêpramimetudoquevierélucroetudoquenãodernãodeupratudoexistiráconversaavidanãoémarderosasmasatravessaromaremressacajuntosésempreumaboaformadenosparoximarmosmaisporquedepoisdevocêmeumundotemmaissentidoseentãoentenderseráprasempreumasoluçãojamaismaisfáciléporémmaisplausívelnessemundodehojeachoqueéassimquefazprateramanhã

sábado, 17 de maio de 2014

Destino: Palavras

Palavras
Quando soltas
Tem destino
Atmosfera
Seu- Meu - Seus - Nossos
Fatiada... Psiu.... Fatigada...
Xiiiii
Palavras mastigadas
Não correspondem a razão
Um beco
Um poste
Uma lâmpada quebrada
Um sino sem igreja
Um plástico bolha perto do trilho do trem
Um vento
E um rosto
Você parece sorrir
E eu pareço esperar
Você parece esperar
E eu pareço esperar
Eu pareço esperar
Você parece dizer algo
Se for eu te amo
Meu corpo apazígua
É
Minutos
Passados trem
Viagem vai
Volta e tem
Mais
De novo
Vem
De volta
Vou
Meu querer
Não vê
Só faz
Teletransporte
Telepatia
Segundo
Ao lado
Pronto-prático
A sós
E nada significa
Mais
Que os lençóis
Em que nós
Juntos
Estamos sobre

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Em algum lugar

Numa noite adormeço
Num dia amanheço
Nas nuvens viajo
Nas estrelas escrevo
No sol eu me aqueço
No mundo da lua
Na lua me encho
No céu meu voo
No mar meu nado
No nada, nada
Na estrada caminhada
Na luta prontidão
Na escada sobe-desce
No carro direção
No espelho, espelho meu
Nos bares drinks bons
No apelo um disparate
No ouvido um bom som
Nas costas experiência
Nos fatos constatação
Na saída placa de exit
Na janela só tem vitrô
No sofá um gato triste
Na ladeira elevador
Nos primeiros alguns minutos
Nos primórdios o verbo e a luz
Numa rima palavra boa
Numa rima contradição
Numa rima a fúria e o som
Num jardim flor
No amor você
No final créditos


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Boa noite

Eu
Queria ter
Um salto biônico
Um poder super sônico
De te alcançar em 1 segundo
Te dar agora os meus braços
Perder meus dedos no seu cabelo
Cobrir você de beijo
E te fazer dormir
Por um momento
O que mais faz diferença
É a possibilidade
Da minha boca perto do seu ouvido
E eu podendo dizer sussurrado
Boa noite, eu te amo

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Por ser você, te amo

Preciso escrever um poema de amor na raiva
Exorcizar o desentendimento
E reforçar ainda assim
Um alinhamento, um coração
Afinal, meu amor não é de superfície
Vai além de uma razão
Meu amor não em si consiste
Em amar com condição
Sou pedante
Sou piegas
Bem como quem ama sabe ser
Ao te dizer te amo
Ponho meu corpo todo em prontidão
Todo jeito
Todo verso
É por pura devoção
Te amo nas rusgas
Te amo na distância
Te amo de corpo presente
E ausente te amo ainda mais
Na raiva, te amo tanto que passa
No amor, amo até quase sufocar
Amo na ideia de que por você eu faço tudo
Na descoberta de um sentido pra vida
Na desordem dos sentimentos
Te amo pela tua companhia
Pelo teu falso descaso
Te amo pela imagem que almejo
A de dois velhos felizes de mãos dadas numa tarde de sol
E por mais que eu nem procure a poesia
Ela brota desse amor
É simples e fluido
Tudo entoa sem barreira
Porque eu te amo pura e simplesmente
Por você ser você



sábado, 3 de maio de 2014

De quando eu me forço corajosamente a encarar a realidade

Ter coragem
Mente sã
Consciência
Paciência
Dalai
Da lama
Sair
Por que entrou?
Ações e reações
E cadeias
Em cadeias
Encadeando o que vai vir
Equilíbrio
Dentro e fora
E tudo que é bonito permanece
Tudo que é amor volta
Tudo pode ser melhor agora
Todo pensamento deve ser
Daqui pro amanhã
Todo aperto de peito
Pode ser de fome
Mesmo que essa fome
Seja de amor
Toda experiência é uma graça
E todo sentimento
Uma flor
Parece firme esse poema?
Tem vontade
Quer firmeza
Requer vontade própria
E o entendimento necessário
Pra saber levar assim
Otimismo, palavra.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Caminho pra onde?

Preciso
Do que é preciso pra entender
Não respirar teu ar
Tem vida
Alguma forma de sobreviver
Destituindo
Essa extração
Destino
O meu
À você
E tua vida fica incerta
Na minha vida
E minha voz
Fica presa
Na tua garganta
Ferida
Não tem mais nada
Que a cura cure
Tem teu olhar formando meu solo
Teu espaço
Meu momento
Minha reserva
Teus segredos
E medos
Esses sem dono
Do mundo

Reservei este espaço para escrever uma prosa. Repenso. Palavras nunca antes me disseram tão pouco sobre mim mesmo. Palavras antes, meu escudo, agora, meu veneno, cujo antídoto não pronuncio mais. Fui treinado pra pegar o pouco que eu tenho e transformar em muito, mas do zero não me agrada mais. Interessado em escapar a salvo eu tento recorrer a imaginação, treinar meus dons, mas seguro em algo que não me permite agir. Aquela escapatória clássica não é apresentada, nenhum aviso de a saída é por ali se coloca em frente o caos, não há portas com barras de segurança aqui. Algumas alavancas servem apenas para fazer o pensamento chegar ao mesmo lugar de onde ele nunca sai, um pensamento sôfrego por um olhar, como fome, como se fosse devorar o momento. De repente, não mais que um piscar desse olhar, está tudo apresentado e por um minuto você pode pensar que tudo começa a ficar sem sentido, mas não se trata de direção, no entanto, talvez seja sua a razão. Temo. Posso ter frio nos braços. O frio no colo. Tua música explodindo um déjà vu cínico de esperança nos ouvidos. Teu sorriso produzindo um delírio. E teu toque. O teu toque. O teu toque indefensável, tuas células nas minhas, teu calor e tua presença, me envolvem como uma avalanche e quando saem de mim, provocam aquilo que ainda não sabemos o que é. Pra onde mesmo que caminha aquilo que a gente não sabe o que é?