quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Tantos tãos

Tantos sonhos
Tantos quens
Tantas horas
Tantos bens
Tanta bola
Tanta neve
E tudo continua girando, girando
Esses desejos guardados
Essa visão de futuro
Esse nó
Dão
Conta
São
Vira-e-mexe
Estados de estágios
Sãos
Não serão vãos
Os passos, os espaços
Serão?
Serão novos
Espaços
E então
O todo e o até aqui
Estarão
Como recordação
Uma lembrança
Esfumaçada pelo tempo


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Aprofundo mar


Eles:
Quando o vento sopra e leva
Quando devasta o interior

Todos:
Eu, profundo
Aprofundo
Bem no fundo
Oh! Meu mar
Eu me inundo

Eles:
Lancem suas varas

Elas:
Senhores

Eles:
Suas varas

Elas:
Senhores

Eles:
Suas apostas

Elas:
Suas dores

Todos:
Senhores
Lancem senhores
Fisguem!
Fisguem!



domingo, 30 de setembro de 2012

Poderia

Poderia
Dar-me a mão
Sorrir e viver de forma plena?
Poderia me sorrir
Ultrapassar os obstáculos
Enfrentar o medo
A insatisfação
E perdurar a gratidão?
Poderia?
Poderia ser feliz
De modo único
Se alegrar de forma
Crônica
Se alegrar de alegria
Poderia?
Poderia dar o tempo
O tempo exato
Encantar-se com a vida
Colocar-se em brilho
Iluminado, poderia?
Poderia a vida inteira
Comemorar a vida inteira
Poderia?
Poderia sim
Responder podendo
Transmitir

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Antônia


Somente quando eu vi brilhar os olhos de Antônia, pude perceber como a minha presença era desejada. Falar de boca cheia era permitido e sentir o tempo me pertencer era o que de melhor podia estar acontecendo naquele momento. Não se apaziguava apenas a alma, mas sim todo o conceito de existência, alí, naquele lugar.
Antônia, tão velhinha, tão sábia, tão presente em suas comidas e sorrisos grátis. Uma felicidade vivenciada, caprichosa, dentro de uma vida que bem vivida só podia ser alí.
Tive a honesta sensação de estar diante de alguém que vivia dentro da sua própria vida, nada mais.



sábado, 14 de abril de 2012

A Separação

A separação queima
Arde, dói
Ela fatiga, estremece
Afronta, mói
Como aquilo que é querido e parte
Como o tecido preferido rasga
Como o balão de gás
Que da criança a mão
Escapa
A separação
Rompe
Cindi
Fale
Separação
Que assombre
E a mim abale
Não me toma por covarde
Que a coragem me convém
Se separa
O corpo
A vista
A boca
Mas não a alma o que contém
Separação
Que a mim tomou
Tão presente faz-se abissal
Não cita amor
Não cita coração
Tão presente
Separação


quarta-feira, 14 de março de 2012

Passa

Como mais?
Quantas vezes mais?
Como paz?
Se o que mais faz é lutar
Por dentro sozinho
Por fora somente
Por vezes silêncio
Não se pode dizer
Enquanto espero que essa coisa cesse
Não penso direito
Não sei mais fazer
Só peso o que perco
Não sei quanto ganho
Mas como eu posso dizer?
Como mais?
Quantas vezes mais?
Como faz?
Se o que me apazígua é fazer
Tem hora que o tempo parece engraçado
Tem dia que a hora parece correr
Mas tenho sentido uma corrida inversa
O tempo parece perder
Curioso estar cedo em mim mesmo
Certamente me atrasei pra sair
Se é hora, não sei
Se melhora
Se passa
Passou



domingo, 8 de janeiro de 2012

Do papo

Sabe seu moço
Do bigode no dedo
Não tenho a fórmula do sorrir
Mas sei que continuo
A me contagiar
Por toda amizade surgida da minha tela
De toda honestidade
Escondida por trás dela
Do mundo ao meu redor
Do papo
Do fato de que
Nada é preciso
Além de querer
Conhecer
Prazer!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

re - ...


É que ativa uma coisa adormecida
Um sentido esquecido
Algo que foi deixado propositalmente
No fundo de uma gaveta
Não, não se trata de um poema com endereço
Trata-se talvez sim
De um poema que pra mim
Vem dizer de recomeço
Vem falar desse espaço
Vazio, preenchido de silêncio
Assim como aperta-se um botão
Basta o menor gesto para essa ativação
Aquela canção que secretamente dediquei
Você não ouviu, tenho certeza
Ela que ficou pra mim
Bateu no meu peito e mexeu
Sem permissão
Assim, descaradamente
Tanto que me fez escrever
Voltar aqui
Pra camuflar nessas palavras
Esse desengano
Essa constante sensação
Que as circunstâncias me puseram
A sentir
A vivenciar

Eu sempre quis sonhar
Com essa melodia
Então puramente só
Cantar já
E tudo, tudo sempre
Vai ter um lugar...
(Port Antonio – Bebel Gilberto)


domingo, 1 de janeiro de 2012

Quando o ano, novo chegar...


Sem saber exatamente o que sentir, chorou por dentro ao lamentar tão intenso nada. Por um momento sentiu a vida lhe dizer que seu sonho de praticidade estava então, realizado.
Escutem, pois em nenhum momento será permitido redarguir qualquer dito e feito, os desavisados não terão chance e os dissimulados sequer seriam citados, caso não fossem suas presenças tão impostas como foram.
Nem tão longe assim, mas distante suficiente para levá-lo além de si, se instaurou coisa alguma e sem cerimônias, desarranjou os sentidos dentro daquele peito de coração batido, sem efeito, sem aperto, sem happy new year.
Em síntese, se for perguntado, caso ocorra, não falará. Não dirá um só verbo, não terá um só gesto, não verá sequer um riso nervoso. Em seu íntimo a proximidade de algo como um limbo poderá se comparar ao sentimento de já ter vivido suficientemente para saber que mesmo sendo diferente, tudo é perfeitamente e ludicamente igual.
Então irá tirar seus sapatos, arrancar de si as meias, afrouxar o cinto e se recostar em algo que o acople ao conforto, tal qual o primeiro, conforto, experiência quase uterina, vai dormir.
Ao acordar saberá que desperta ao mundo mais uma vez para refazer todas as perguntas novamente.

O essencial é invisível aos olhos...
(Antoine de Saint-Exupéry)


Homero 02/01/2012