quinta-feira, 28 de julho de 2011

Antes de não ter mais tempo


Cala a boca
Antes de abrir

Verifica o fluxo de mosca
Não, não posso ter dito tudo
E não posso estar sem ter o que dizer
Mas sentir
Eu sinto

Quando eu acabar
Com essa raiva
Eu juro que dou


Uma coisa melhor
Um algo de bom

Não sei sentir angustia
Ela é mais que sentir
Ela é ser
E se eu sou
O que não é sentir
Vivo
Sai da mesma
Encontra teu rumo
Acha meu endereço
E me encontra
Tem tempo demais ainda
Antes de não ter mais tempo

sábado, 2 de julho de 2011

Ele se entrou

Eu ouvi dizer dessa lacuna
Esse beco criativo
Sem saída
Essa minuta mal escrita
Essa letrinha pequena, de bula
Desinteligente
Sabe que eu sonhei com coisas boas
Eu passei do in ao out
Assim como eu mesmo quis
Eu transcrevi significados
Os que significam só pra mim
Nessa altura eu já olhei pra baixo várias vezes
Indiquei a saída
Desrespeitei o farol vermelho
Não me diz eu ser um escritor de coisas tristes
Eu apenas revelei a cabecinha inquieta de um menino
Um pequeno príncipe
Um extramundo
Desses que são de um mundo tão comum quanto o nosso
Ou o seu
Perguntou-se:
- Sonhei acordado?
E foi respondido:
- Sim, mas não me lembro do sonho.
Olhou e não viu nada além da sua própria necessidade
Ficou instrospecto e desejou uma conha
Uma caixa
Um guarda-roupa
Seu edredom
Ele se entrou
E prometeu sair quando tudo fizesse mais sentido
Ele está lá ainda