terça-feira, 29 de março de 2011

Pra não chamar Maria

Pra não chamar Maria
Pra não chamar você
Se eu te chamo
Logo me engano
Ao poder rever
Pra não chamar desprezo
Pra não chamar; me evita!
Um pouco mais coeso
Foi que eu fiz essa visita.


**Homenagem ao blog do Lucas pranaochamarmaria.blogspot.com

sábado, 26 de março de 2011

Contrapeito

Se é verdade que está ali
O seu brilho encantado
Meio assim tão diferente
Algo que não tinha ideia
Muito tempo em tempo não
Tinha ideia dele então
Eu não, eu não, sabia não
Você é como um verso simples
Tem carisma e afeição
E eu não despenco à esse crime
Como abusar do domingo
Plantei o seu nome
Dentro da sala
Se nasce árvore
Não sei não
Mas eu sei
Eu sei
Quem veio de repente
Foi quem veio de repente
E pegou minha mão
Botou contrapeito
E disse nada
Mas falou com a respiração
Um limite?
Sei não

quarta-feira, 9 de março de 2011

Carnaval Virtual

Não leia isso antes de entender que nada disso existiu. Tem coisas que a nossa memória faz questão de apagar e outras que a gente simplesmente fantasia para que essa realidade, a concreta, não nos deixe desabrigados de sentidos, de porquês ou até mesmo de intenções para além da gente.
Aquela urgência que nos fez achar engraçado a nossa vida, aquela simples necessidade de desafogar a nossa carência pós separações, nos fez mais viáveis. Mas não. Ilusão da nossa parte.
Poderia ter acontecido com qualquer um que resolvesse atravessar a rua sem olhar pros lados, o fato de ser atropelado por um amor de Carnaval Virtual. Tudo isso que está entre o limiar do existe-não-existe, está na minha cabeça, está por aqui, solto pelo corpo, um lugar vazio, oco, com recheio de esperança.
Podia ter sido diferente e nada ter acontecido entre o alto do prédio e o firmamento do chão de asfalto, neste espaço que só conhecem os suicidas, ficou essa história, jogada de lá numa decisão humana, madura, completa, mas da qual eu como mamífero e de sangue quente, não consigo digerir como a minha maturidade e racionalidade querem.
Queria tanto ser mais poético e talvez até o final deste relato ou desabafo eu consiga. É que quando eu olho pra frente eu vejo um inverno longo e branco, sem mudanças, sem variação de cor e temperatura, sem o brilho do sol pra energizar. Eu vejo uma geração toda repetindo tudo que é bom repetir e deixando de lado a interessante arte de ser contemplativo. Não me importa deixar de sentir o sabor do acaso. Eu não me contento só com a música da moda.
Este carnaval virtual está passando. Os dias de cão estão acabando e o que mais eu disser será um processo de reestruturação da alma. Eu sempre saio um pouco ralado, mas é aí que entra minha criatividade, essa que a partir de agora vou deixar tomar controle de tudo que falo. Desse jeito eu viajo pra dentro de mim e lá onde existia um lugar oco agora tem muitas coisas juntas, belas, boas e protéicas. Os dias sempre reservam uma surpresa especial pra quem quer que eles sejam únicos.

“Don't let it bring you down
It's only castles burning,
Find someone who's turning
And you will come around.”

Neil Young