domingo, 31 de maio de 2009

Até quando avassalado?

Até quando?

Eu queria te dizer

Isso

Até quando isso?

Eu queria te dizer

Isso que me envolve

A ponto

De me remeter

Somente por sua voz

Aquela que encontro

Em qualquer lugar

Aquela que é dita

Falada

Em rede nacional

E essa divisão me mata

E acredite

Eu ainda me vejo

Vivendo com você

Amando

Sorrindo

É por isso que fecho os olhos

Alimento minha mente

Sufoco minha voz

E me ponho a variar

Eu sou um ausente

Nesse instante

Nesse rompante

De insanidade

Ora,

Você nunca será

Nunca

E isso é cicatriz

Que eu vejo todo dia

Lamentando

Sem esquecer

Ainda sonhando

E condenado

Por que você?

Ora, você

Você se manteve no seu direito

Ninguém é obrigado

A gostar

Nem eu

Por isso cesso

Paro, penso

Por isso

Entendo

Por isso

Choro

Rasgo

E traio

Me traio

Juntando os farrapos

Os rasgados

Pra sentir

Uma ilusão

De preferência

E é assim

Que me provo

A insensatez

Que é ser

Essa pessoa

Que se deixou

avassalar

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Seguindo a tendência: mania de complicar

Eu continuei, ao som do violino

Ao som de mim, menino

Eu vaguei 


Correndo, eu suei ardendo

Em brasa, a seco

Em meio, a vastidão


Eu continuei sedento

Eu como um rebento

Triste e forasteiro

Por ser de outro onde


Eu misturei as bolas

Fundi

E na fusão de crânios, cérebros

Eu me perdi 

Em tanta terminação


Nervosa


A sensação de ser triste, de triste ser


Eu não parei com aquela velha mania

Eu só parei de falar de você


Atirei na dor e pensei que quando quero,

Eu saio sim


E retornei a mim

Sem querer, porém querendo

Uma intimidade que entenda

Conduza e compreenda


Que é fácil viver


Mas eu tenho mesmo a tendência de complicar

sábado, 16 de maio de 2009

Sim é o momento

Ever

É assim que sempre

Eu bem contente

Vendo a gente

Se entender

É assim que quero

Quando te espero

Sorrir pra mim

Eu sou mesmo

Esse entregue

Esse cara

Que você conheceu

Nem sou muito diferente

Muito embora

Às vezes pense

Que sou mais

Do que poderia ser

O que é lindo, no entanto

Mais que seu sorriso

Aquele

De canto

É te ver

É te sacar

Tem lugar aí no peito?

Tem espaço?

Com todo respeito

Deixa eu entrar?

Sim

E eu quero assim

Bem perto de mim

Como quem descobre a vida

Ou como

Quem revive

Ela

A vida

Com verdade e sentimento

Diz que é o momento

De se deixar

Se deixar

É nosso

Ton

domingo, 19 de abril de 2009

Curtindo o máximo do excêntrico por m²

Eu fragmentei
Eu não loguei
Minhas contas
Minhas partes
Minhas varizes
Eu não ganhei
Por esperar em pé
Eu solucei
E bocejei
Ao mesmo tempo
Porque
A dor de quem espera
É ver o tempo passar
Sem um pingo de realização
E a mão que pesa sobre a cabeça
É minha própria mão
Minha sentença, ilesa
Eu agüentei calado
Eu me estuprei
Me rendi
Mazela minha
Miséria minha
Matéria minha
Eu suprimi
Colágeno
Tanto sorriso
Pra nada
Eu ouvi Caetano
Eu cantei Bethânia
Eu ouvi Caetano
Ouvi Caetano
Ou vi Caetano?
Lobão tem razão
E eu não
Lobão
Bobão
Agarrado
Em passado
Degustando
O gosto
Ligeiro
Gosto
Pelo excêntrico

terça-feira, 7 de abril de 2009

Estava Escrito Mesmo

Eu vi mesmo
Que você
Não ta mesmo
Nem aí pra mim
E eu mesmo
Como mesmo
Desmenti
Tudo dito antes
Tudo feito
Eu me menti
Eu olhei pra sua testa
E nela escrito
Estava algo
Minha vista
Embaça
E o alvo
Foi minha mente
Incompreensão
Mas de repente
Que esse algo
Desembaçado
Claro, triste estado
O meu
Constatação
Escrito mesmo
Estava o quanto
Mesmo eu sendo
O mesmo
Tanto
Apego e ilusão
Estava escrito
Que não era
Estava escrito
Que já era
Pra mim
Mesmo
Não era pra ser
Mesmo eu
Querendo tanto
Como quis

segunda-feira, 9 de março de 2009

De Quando Se Confessa Sem Doer - Ocupação Poética em Vários Atos







De 16 a 21 de Março no saguão do Centro Cultural (Biblioteca Municipal - S. J. do Rio Preto)












O projeto consiste na exposição de poemas escritos por mim Homero Ferreira de uma forma contextual. O universo do poema não fica só aprisionado a escrita, mas se apropria de outras dimensões na tentativa de comunicar por diversas vias, desvendando as especificidades de cada poema, transpondo suas motivações de palavra para imagem.
No contexto geral, o todo da obra converge para o que chamo de uma confissão. Confesso porque nunca antes o acesso a essa obra foi permitido, portanto a idéia é que esses poemas sejam fragmentos dessa obra, pequenos confessionários que purgam uma existência. De volta ao fragmento/poema tento trazê-lo para um universo estético que contemple a idéia de uma obra. A analogia direta é que eu poeta sou a obra/casa e esses fragmentos a mobília que habita sob meu teto, talvez não sejam as bases estruturais e por isso escolho poemas que outrora não me eram tão importantes ou não viviam em mim significativamente (nunca deixando de significar), porém como a matéria não jaz na essência e nem por isso deixa de ser fundamental a vida me permito mostrar em imagem não o telhado ou o chão, mas sim meu espelho, meu relógio, minha estante, meu colchão. Objetos que me cativam pela posse, que compõem meu habitat.
A idéia é trabalhar com o que não está acabado, sem forma, com o que está cru. Tijolo empilhado que são células, princípio de qualquer formação e um fio que conduz oxigênio, energia, água, aquilo que é necessário para vida funcionar.
Esse trabalho é também fruto de uma extensa pesquisa acerca de todo existencialismo contido em meus poemas, um mergulho profundo em busca do afloramento de idéias visando o nascimento de um espetáculo teatral. Todo esse movimento de estudo é proveniente de minha parceria com o ator e diretor Linaldo Telles que seguramente contribuiu muito para que este conceito fosse esboçado e mais tarde amadurecido pela crítica e provocação de Jorge Vermelho.
De Quando Se Confessa Sem Doer é uma ocupação poética em vários atos, pela sua capacidade de se reciclar, se funde em artes, as plásticas, a literária. É vazão para as palavras que se tornam palpáveis, visíveis além da letra, notáveis além dos sentidos. É o corpo de tudo aquilo, ou de quase tudo aquilo que escrevi. É uma maneira de ler o íntimo. É o convite que faço a uma leitura de nós, uma vez que a existência é peça chave e está contida em cada um. Convite esse estendido a todos.






traUma

é tanta coisa rondante instante estante é falante ouvir o fonema frus da palavra frustrante e falar o trante difícil, inaudível deselagante ...