as velhas ruas já não são mais
as velhas ruas que um dia nos viu
os imóveis, a noite, as sombras
são tudo um resto de nós, não mais
as velhas memórias já não tem mais valor
o hoje intenso já roubou os espaços
guardada, entalada, espremida
a memória vacila, concede, padece
e as velhas partes permanecem pra mim
eu vi um velho triste, típico triste e era eu
vagando ao volante quarenta por hora
a velocidade que pede pro tempo não correr
não faz ou faz ano
quase ano, quase faz
o que um ano de ausência é pra mim
pra você é não mais
que ruas
as que passo pra tentar pertencer
o que era ontem
o que vai ser
não faz, por favor, não faz
não completa
incompleta
sem alma
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