segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Aprofundo mar


Eles:
Quando o vento sopra e leva
Quando devasta o interior

Todos:
Eu, profundo
Aprofundo
Bem no fundo
Oh! Meu mar
Eu me inundo

Eles:
Lancem suas varas

Elas:
Senhores

Eles:
Suas varas

Elas:
Senhores

Eles:
Suas apostas

Elas:
Suas dores

Todos:
Senhores
Lancem senhores
Fisguem!
Fisguem!



domingo, 30 de setembro de 2012

Poderia

Poderia
Dar-me a mão
Sorrir e viver de forma plena?
Poderia me sorrir
Ultrapassar os obstáculos
Enfrentar o medo
A insatisfação
E perdurar a gratidão?
Poderia?
Poderia ser feliz
De modo único
Se alegrar de forma
Crônica
Se alegrar de alegria
Poderia?
Poderia dar o tempo
O tempo exato
Encantar-se com a vida
Colocar-se em brilho
Iluminado, poderia?
Poderia a vida inteira
Comemorar a vida inteira
Poderia?
Poderia sim
Responder podendo
Transmitir

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Antônia


Somente quando eu vi brilhar os olhos de Antônia, pude perceber como a minha presença era desejada. Falar de boca cheia era permitido e sentir o tempo me pertencer era o que de melhor podia estar acontecendo naquele momento. Não se apaziguava apenas a alma, mas sim todo o conceito de existência, alí, naquele lugar.
Antônia, tão velhinha, tão sábia, tão presente em suas comidas e sorrisos grátis. Uma felicidade vivenciada, caprichosa, dentro de uma vida que bem vivida só podia ser alí.
Tive a honesta sensação de estar diante de alguém que vivia dentro da sua própria vida, nada mais.



sábado, 14 de abril de 2012

A Separação

A separação queima
Arde, dói
Ela fatiga, estremece
Afronta, mói
Como aquilo que é querido e parte
Como o tecido preferido rasga
Como o balão de gás
Que da criança a mão
Escapa
A separação
Rompe
Cindi
Fale
Separação
Que assombre
E a mim abale
Não me toma por covarde
Que a coragem me convém
Se separa
O corpo
A vista
A boca
Mas não a alma o que contém
Separação
Que a mim tomou
Tão presente faz-se abissal
Não cita amor
Não cita coração
Tão presente
Separação


quarta-feira, 14 de março de 2012

Passa

Como mais?
Quantas vezes mais?
Como paz?
Se o que mais faz é lutar
Por dentro sozinho
Por fora somente
Por vezes silêncio
Não se pode dizer
Enquanto espero que essa coisa cesse
Não penso direito
Não sei mais fazer
Só peso o que perco
Não sei quanto ganho
Mas como eu posso dizer?
Como mais?
Quantas vezes mais?
Como faz?
Se o que me apazígua é fazer
Tem hora que o tempo parece engraçado
Tem dia que a hora parece correr
Mas tenho sentido uma corrida inversa
O tempo parece perder
Curioso estar cedo em mim mesmo
Certamente me atrasei pra sair
Se é hora, não sei
Se melhora
Se passa
Passou



domingo, 8 de janeiro de 2012

Do papo

Sabe seu moço
Do bigode no dedo
Não tenho a fórmula do sorrir
Mas sei que continuo
A me contagiar
Por toda amizade surgida da minha tela
De toda honestidade
Escondida por trás dela
Do mundo ao meu redor
Do papo
Do fato de que
Nada é preciso
Além de querer
Conhecer
Prazer!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

re - ...


É que ativa uma coisa adormecida
Um sentido esquecido
Algo que foi deixado propositalmente
No fundo de uma gaveta
Não, não se trata de um poema com endereço
Trata-se talvez sim
De um poema que pra mim
Vem dizer de recomeço
Vem falar desse espaço
Vazio, preenchido de silêncio
Assim como aperta-se um botão
Basta o menor gesto para essa ativação
Aquela canção que secretamente dediquei
Você não ouviu, tenho certeza
Ela que ficou pra mim
Bateu no meu peito e mexeu
Sem permissão
Assim, descaradamente
Tanto que me fez escrever
Voltar aqui
Pra camuflar nessas palavras
Esse desengano
Essa constante sensação
Que as circunstâncias me puseram
A sentir
A vivenciar

Eu sempre quis sonhar
Com essa melodia
Então puramente só
Cantar já
E tudo, tudo sempre
Vai ter um lugar...
(Port Antonio – Bebel Gilberto)


traUma

é tanta coisa rondante instante estante é falante ouvir o fonema frus da palavra frustrante e falar o trante difícil, inaudível deselagante ...