quarta-feira, 9 de março de 2011

Carnaval Virtual

Não leia isso antes de entender que nada disso existiu. Tem coisas que a nossa memória faz questão de apagar e outras que a gente simplesmente fantasia para que essa realidade, a concreta, não nos deixe desabrigados de sentidos, de porquês ou até mesmo de intenções para além da gente.
Aquela urgência que nos fez achar engraçado a nossa vida, aquela simples necessidade de desafogar a nossa carência pós separações, nos fez mais viáveis. Mas não. Ilusão da nossa parte.
Poderia ter acontecido com qualquer um que resolvesse atravessar a rua sem olhar pros lados, o fato de ser atropelado por um amor de Carnaval Virtual. Tudo isso que está entre o limiar do existe-não-existe, está na minha cabeça, está por aqui, solto pelo corpo, um lugar vazio, oco, com recheio de esperança.
Podia ter sido diferente e nada ter acontecido entre o alto do prédio e o firmamento do chão de asfalto, neste espaço que só conhecem os suicidas, ficou essa história, jogada de lá numa decisão humana, madura, completa, mas da qual eu como mamífero e de sangue quente, não consigo digerir como a minha maturidade e racionalidade querem.
Queria tanto ser mais poético e talvez até o final deste relato ou desabafo eu consiga. É que quando eu olho pra frente eu vejo um inverno longo e branco, sem mudanças, sem variação de cor e temperatura, sem o brilho do sol pra energizar. Eu vejo uma geração toda repetindo tudo que é bom repetir e deixando de lado a interessante arte de ser contemplativo. Não me importa deixar de sentir o sabor do acaso. Eu não me contento só com a música da moda.
Este carnaval virtual está passando. Os dias de cão estão acabando e o que mais eu disser será um processo de reestruturação da alma. Eu sempre saio um pouco ralado, mas é aí que entra minha criatividade, essa que a partir de agora vou deixar tomar controle de tudo que falo. Desse jeito eu viajo pra dentro de mim e lá onde existia um lugar oco agora tem muitas coisas juntas, belas, boas e protéicas. Os dias sempre reservam uma surpresa especial pra quem quer que eles sejam únicos.

“Don't let it bring you down
It's only castles burning,
Find someone who's turning
And you will come around.”

Neil Young

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Me arrepiei quando Patrícia Selonk gritou:

Porque eu tava na praia peneirando areia insistentemente, vieram me perguntar:

- O que você procura na areia?

Eu disse:

- Eu procuro a outra parte de mim que perdi.

- Mas você não vai achar nada aí, sua boba!

Então eu respodi, sorrindo:

- Já procurei meu amor em tantos lugares, não custa procurar aqui!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Alô... Hello!

Hello my dear
Eu aqui catando o milho
Da minha cabeça
E o mundo
Passando por ela
Como se não houvessem
Fronteiras
Essas fronteiras que separam
Meu non-sense life style
Bem mais careta
Do que eu mesmo
Posso imaginar
Hoje ta sendo dia de olhar
Com olhos outros
Eu to indo e vindo
Na coisa de viver
Sem maior erudição
Do topo, teto
Ao chão
Do vão
Alberto!
Aberto estão
Nesses dias tropiquentes
Onde até o vento
É caliente
Onde eu quero me notar
Venham,
E sempre muito
Bem-vindos
Sejam!
Alô... Hello!
Alô... Helloisa?
Ta me ouvindo?
Tu Tu Tu...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Prazer Júlia - Até que ponto?

para ler ouvindo L'absente - Yann Tiersen

É como expulsar o desejo
Purgar os sentidos
E a boca seca manter
Esse entrave
Essa hora que não passa
Esse aspecto de serenidade
Que é a mentira mais bem contada
NÃO
Não se aproxime
Nem por um momento se lembre de mim
Agora você vai virar de costas
Vai fechar os olhos e esquecer

Oi
Prazer, Júlia!
Você sabe a que horas passa o ônibus?
Não, é a primeira vez que venho aqui
Sim, 22h30, obrigada!
Não, não nos conhecemos de algum lugar nenhum
Será que passa esse frio?
Você não com frio não?
Vai acabar pegando um resfriado
Não, eu não dou papo a estranhos
Mas você me deu um cigarro
Me falou a hora que o ônibus passa
Não saio por aí falando com qualquer um, não
Não sou dessas
Ah já vai
Ta bom, valeu pelo cigarro!
Aí seu ônibus, até.
Foi
Oi
Você quer um cigarro?
Era daquele maluco que foi ali
Eu nem fumo, meu amigo. E ele me deu um cigarro.
Você sabe que só vai passar as 22h30 né?
É a primeira vez que você vem aqui?
Porque eu tenho a impressão que te conheço de nenhum lugar algum
Eu não sinto frio não.
Não tenho medo de resfriado, não.
Eu já vi que você não da papo à estranhos
Não é desses
Que desejo?
Que sentidos?
Que boca?
Do que você está falando?
Passa sim, vai chegar às 22h30!
Eu não sou serena, eu tomo remédios.
Mentira, eu?
NÃO
Mas eu estou bem aqui sem me mover.
Eu não te conheço, desculpe.
É um assalto?
Esquecer!
(Grito)
O... o... oi
Prazer Júlia.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Coisa da minha cabeça

Só antes
Quando ainda nada via
Eu sentia a vontade de querer
Nesse instante
Onde grande
Constante é a vontade de sim ter
Te digo
Te querer
Assim querendo
Te quero
E não nego
Assim que te pego
Te aperto
E então
Materializo
A ideia de que não é coisa da minha cabeça

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

sem título 2

Escondi aquela lágrima feliz
Pra não deixar transparecer
Tudo aquilo que você não sabe que eu não sou
Recolhi misteriosamente meu entendimento
Nada restou além de um infinito intenso
Algo propenso ao sabor do acaso
Acaso seja assim
Rodeios entretudos
Tudos tão lúdicos
Quanto líricos
Ou ondes trágicos
Heróicos
Como eu gosto de parecer
Épico
Clássico
Tréplico
Como se muita coisa pudesse existir
A partir da minha vontade

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Pode ser, sei lá
















Não se assusta agora não
Que eu não sei onde vai dar
Parece que o tempo esgota o medo
Até o medo de perder, ser a própria perda
Não acredito que sim
Mas também duvido do não
A hora agora é de levantar a cabeça
Olhar pros sonhos
Tocá-los no horizonte
E escrevermos nossos nomes nele
Mesmo que remotamente
O que valerá é o que de bom isso nos trará
Vamos escutar a música que diz
Que os dias de cão estão chegando ao fim
E tudo pode ser que seja melhor
Pode ser que seja
Pode ser o que quiser
Se eu não te disse que 
Eu fico assim só pelo medo
Eu te digo
Eu tenho medo
Mas se você sorri
Recomponho os sentidos
E me encho de corajem
Assim de leve
Com a certeza de restar
Sempre apenas o melhor de nós 




traUma

é tanta coisa rondante instante estante é falante ouvir o fonema frus da palavra frustrante e falar o trante difícil, inaudível deselagante ...