domingo, 23 de fevereiro de 2014

Essa falta muda tudo

Se quer saber se eu sinto a sua falta
Eu sinto muito em senti-la tão em mim
Tem cores cruas habitando meus sentidos
Tem dias frios nesse verão, Rio, fevereiro
Comigo mesmo que eu me encerro todo dia
Comigo sempre eu aprendi a me virar
Mas quando o assunto vira e mexe me devora
E impossível fica mesmo não pensar
Quando a distância me inspira a te escrever
É que eu percebo muito mais o amor em mim
Não que pra gente isso fosse um segredo
Mas essa falta muda tudo
Essa falta muda tudo
Essa falta muda tudo
E eu emudeço, mudo tudo
Mudo tudo
Tudo mudo nesse coração

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Noutrante interior

Não do acaso de si
Até outrar algo mais pensante do que eu
Sei de todas as regras
Pensei por todas estratégias
E quando sinto que sim
Pode ser que eu saiba
Tem um levante inocente a frente
Um constante perdão que acresce de gente
Uma doença de açúcar
E um leão de sal
Distorção de propósito
Princípio de sertão
Me embasa tão gritante que eu não possa destoar
Me empresta tão ingênuo teu silabar
Me sonda de ousadia na toada
Sobra de vez


domingo, 31 de março de 2013

Bem como palavra boa

Não é possível
Que nenhuma letra salte
Que nenhuma voz recite
Que nenhum sopro se vente
Fico admirado
Ao ver o tempo passado
Sem que a poesia escorra pura
Que volte a ser tão útil
Tão prosa
Tão prática
Bem como antes
Queria ver de novo unido
Um verborrágico grito
A única forma de expressar
Bem como uma terapia
Bem como uma sangria
Bem como arte
Ou tudo isso junto
Bem casado
Doce
Como a ponta do dedo de criança
Queria contemporizar
Queria falar
E hoje quero
Queria
E hoje quero
Esse queria era mais quero
Do que eu podia imaginar
Quando nele intenso se fazia o discurso
Estava eu achando dar um berro mudo
Mas não
Eu botava mesmo o coração
Pra brandir
Pra sorrir
Pra chorar
E muito e muito e muito mais
Chorar
Palavras ditas em fins de noite
Em solidões imprecisas
Em meditações compulsórias
Não me pareciam ser minhas
Palavras escritas em verbo corrente
Pareciam ser muito mais veementes
Que alguns medos express
Palavra dessa minha íntima e amiga
Me aterra tão inquietante
Que não há porque parar
Bem como coisa boa


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Tantos tãos

Tantos sonhos
Tantos quens
Tantas horas
Tantos bens
Tanta bola
Tanta neve
E tudo continua girando, girando
Esses desejos guardados
Essa visão de futuro
Esse nó
Dão
Conta
São
Vira-e-mexe
Estados de estágios
Sãos
Não serão vãos
Os passos, os espaços
Serão?
Serão novos
Espaços
E então
O todo e o até aqui
Estarão
Como recordação
Uma lembrança
Esfumaçada pelo tempo


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Aprofundo mar


Eles:
Quando o vento sopra e leva
Quando devasta o interior

Todos:
Eu, profundo
Aprofundo
Bem no fundo
Oh! Meu mar
Eu me inundo

Eles:
Lancem suas varas

Elas:
Senhores

Eles:
Suas varas

Elas:
Senhores

Eles:
Suas apostas

Elas:
Suas dores

Todos:
Senhores
Lancem senhores
Fisguem!
Fisguem!



domingo, 30 de setembro de 2012

Poderia

Poderia
Dar-me a mão
Sorrir e viver de forma plena?
Poderia me sorrir
Ultrapassar os obstáculos
Enfrentar o medo
A insatisfação
E perdurar a gratidão?
Poderia?
Poderia ser feliz
De modo único
Se alegrar de forma
Crônica
Se alegrar de alegria
Poderia?
Poderia dar o tempo
O tempo exato
Encantar-se com a vida
Colocar-se em brilho
Iluminado, poderia?
Poderia a vida inteira
Comemorar a vida inteira
Poderia?
Poderia sim
Responder podendo
Transmitir

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Antônia


Somente quando eu vi brilhar os olhos de Antônia, pude perceber como a minha presença era desejada. Falar de boca cheia era permitido e sentir o tempo me pertencer era o que de melhor podia estar acontecendo naquele momento. Não se apaziguava apenas a alma, mas sim todo o conceito de existência, alí, naquele lugar.
Antônia, tão velhinha, tão sábia, tão presente em suas comidas e sorrisos grátis. Uma felicidade vivenciada, caprichosa, dentro de uma vida que bem vivida só podia ser alí.
Tive a honesta sensação de estar diante de alguém que vivia dentro da sua própria vida, nada mais.



traUma

é tanta coisa rondante instante estante é falante ouvir o fonema frus da palavra frustrante e falar o trante difícil, inaudível deselagante ...