terça-feira, 1 de agosto de 2023

agora eu tomo café

é repentino
um sonho rápido 
uma atriz 
que rompe infeliz
a quarta parede 
e por um triz
não cai do palco

para se livrar
de toda realidade da farsa
de vários, de várias
diárias aporrinhações

desejo insano
morando na vizinhança
do inconsciente
de repente vai
do mesmo jeito que
vem de repente

nome interditado
reaparecimentos
boias de flutuação
salvamentos
cortes secos na temporalidade
hiatos

forte fraco
atento
amargo
te acorda
te diz:


terça-feira, 20 de junho de 2023

m e g a l o m a n í a c o s

de frente para as letras
dorme o chefe, executor
pinica
são palavras de escrever

de lado ou frente
quando notado
muito tempo passou
mútuo tempo, foi

nosso trajeto não flui
os sonhos não querem morrer
persistem fajutos, quanto
m e g a l o m a n í a c o s

vá bem!
deixa crescer de explodir
deixa enganar de adormecer
ter no que pegar conforta

estilingue,
bumerangue,
pedra solta que vai longe,
mas volta

segunda-feira, 20 de março de 2023

Garrafa pet

Poesia foge
Pensamento foge
Você foge
Eu fujo
O looping continua
Uma performance sem fim
Não de desempenho
Mas de repetição
Venho
Você vem?
Não sei
Queria dizer cifrado que te amo
Mas caio num vazio sem vazio
Um amor rifado
Triste e perdido
Desencontrado
Não tava
Não teve
Não deve vir
Não deve
Não devo nada
Não 
Já me sinto um pouco mais do que uma garrafa pet
Menos descartável
Mais reciclável
Agitado antes de beber
Bebido gelado
Depois de aberto mantido 
No local fresco e arejado
Do teu esquecimento

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Replay

sem tempo pra dizer 
que não vai nada bem, baby
essa loucura por dentro
essa falta de centro
para que não fique isso
na cabeça um ponto fixo
sobre mais nada
quero pensar
e se amanhã mudar
é só mais ontem
pro meu currículo
meu precipício
parece se agigantar
deixa pra lá
eu só queria, um desabafo
uma fotografia mais colorida
um sorriso mais bonito
do que tem sido a minha vida
eu quero ser mais lindo
do que o seu sossego
dormir e acordar
sem pensar
sem sonhar
sem lembrar
você
cem vezes por dia
coisa de mania
tecla de replay


domingo, 6 de novembro de 2022

"menas" idades

fiz trato
contato
disse tudo
não disse
tive sorte
surtei
o taxista, em alta velocidade, perdeu o escapamento numa valeta 
apenas desci depois de achar meu celular que voou da mão
"quer que eu te chame um Uber?"
"não esperava isso de você, seu taxista"
amenidades

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

o prazer da volta
aqui mais uma vez
toda pausa importante 
toda causa equidistante
do encontro 
tanto pro sim
quanto pro nunca mais
linhas de fugas
paralelas infinitesimais
profundas
gerais
são só palavras entre estrelas
já que toda essa poeira o seu brilho ofuscou
pormenores vulgares
sem eira nem beira 
que vou
tratar de limpar
conversas de aspirador 
feitas pra gritar
vão fazendo, à tona vindo
teu pó




quinta-feira, 16 de junho de 2022

com teus (meus) pés

ouvi da música
de tempos tantos
os tantos tempos
que dizia eu mesmo temer

agora que o passado
é um tanto muito
uma massa densa
que embalada a vácuo, contém você

a música termina
o baile desanima
mas reverbera
reverbera assunto e som

dar um pause
pensar distante
oh, operação

tive medo, tive
mas tive só
tive muito
muito pior

são versinhos indelicados
dos mesmos moinhos do mundo
os mesquinhos sonhos
de Cartola, os triturados
as ilusões a pó

agora que o tempo é passado
um presente guiado
um futuro ou porém

preste atenção
o abismo é recorrente
feito sonho
em que cai 
em que acorda

abismo que cavaste
(que cavei, que cavamos)
com teus (meus) pés

traUma

é tanta coisa rondante instante estante é falante ouvir o fonema frus da palavra frustrante e falar o trante difícil, inaudível deselagante ...