terça-feira, 10 de agosto de 2021

mo(n)stro

lembro

o lenço de sangue

a paisagem imitando os laços

o sentido contrário

o avesso do curso nosso

prosas infindas perscrutando a intimidade

vezes sim

vezes não

o sintoma do já dado caso de posse por domínio

colonizados os corpos, os topos, os vícios

toque de pele ou de caixa

a rapidez da re(L)ação

essa sim, expressa

instantânea

o ataque da língua 

e o verter de ódio

ao invés de lágrimas

o soco no peito

o esbarrão

e o chão

sem mover um só dedo

mas movendo montanhas

apenas pela força do gesto

palavras teleguiadas

palavras lanças

um jogo estranho 

do tipo que não se aprende enquanto joga

uma obra de temática única

uma realidade não esperada

uma confusão jamais vista

um abismo de "Niti"

que eu não olho mais

mas que me olha 

dentro

bem dentro de mim


quinta-feira, 8 de julho de 2021

beijo na planta do pé

o tempo tem me dado lições firmes
o medo tem me dito coisas fortes
ontem eu era eu, hoje um joão bobão
apenas me chute
com suas botas firmes em couro
apenas me use
com seus cínicos dons de ouro
um trunfo
um truque
e um dissabor
um fundo
um vagabundo
e o que for

teimou que seria
mas vem o degrau

tomou para azia
mais um sonrisal 

há que se escolher
quem mais vai entrar
deixar para trás
o pensar do que já não é mais

imagine se um dia nesse canto floresça
um jardim vertical com tudo que mais cresça
vai ser muda e mudinha de todos os gostos
vai levar pra casa
vai levar a sério
vai plantar os pés
das sementes que pegou aqui

sábado, 12 de junho de 2021

Me ruma

Perco o foco do teu rosto e te quero como foto uma pessoa que já não existe mais

Passo os olhos nos teus olhos, gesticulo, aceno, mas só o que ouço é mais um suspiro que ruma em minha direção 

Me toma e me rima o interior 

Me ama e me devolve ontem, amor

Sem coragem sem convite 

Saiba

Ainda

Estou 

Aqui

segunda-feira, 17 de maio de 2021

contrários, avessos, opostos

dias difíceis
de escorrer
dias grandes
curtos de ser

talvez eu tenha me deparado
talvez eu não queira aceitar

as traves
pra bater
as praias
pra morrer

loopings gigantes
rodas
vens repetitivos
para vais 
fodas

contrários
avessos
opostos

terça-feira, 20 de abril de 2021

Toques de recolher

podia ter passado
ido sem retorno
como um música
repousa física
sobre a memória
onírica que é lembrar
você

são mais noites do que eu pensei que pudesse suportar

teria algum sentido
teria ferido
tal arranhado
que o emaranhado
do que sou eu
se transformou
ou

tropeços no tapete imaginário que você levou

para criar espalho
e fico por baixo
de onde cai os cacos
monto mosaicos
nem mandalas, guirlandas
nem arabesques 
eu

cinema mudo, uma frase roubada: silêncio abissal



segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Foi

Mais do que palavras

Mais

Mais do que a mim mesmo

Meu

Todo esse seja

Se já foi 

Foi

Cê já foi,

Não?

Seja forte

Perdão

Para abrir portais

Sentidos pra onde for voar







traUma

é tanta coisa rondante instante estante é falante ouvir o fonema frus da palavra frustrante e falar o trante difícil, inaudível deselagante ...