terça-feira, 20 de abril de 2021

Toques de recolher

podia ter passado
ido sem retorno
como um música
repousa física
sobre a memória
onírica que é lembrar
você

são mais noites do que eu pensei que pudesse suportar

teria algum sentido
teria ferido
tal arranhado
que o emaranhado
do que sou eu
se transformou
ou

tropeços no tapete imaginário que você levou

para criar espalho
e fico por baixo
de onde cai os cacos
monto mosaicos
nem mandalas, guirlandas
nem arabesques 
eu

cinema mudo, uma frase roubada: silêncio abissal



segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Foi

Mais do que palavras

Mais

Mais do que a mim mesmo

Meu

Todo esse seja

Se já foi 

Foi

Cê já foi,

Não?

Seja forte

Perdão

Para abrir portais

Sentidos pra onde for voar







terça-feira, 10 de novembro de 2020

Décadence avec élégance

Sôfrega

A ansiedade toma

Tem instância

Tem profundo

Estranha 

Ela não muda,

Arranha

Não

Parece que ficou pra trás

Uma vida, um brilho, um quero mais

Parece que ruiu

De dentro pra fora

Aos poucos

Aquele fracasso anunciado se deu

Os batimentos estão sós

Os tendões repuxam lentos

É o peso largado que faz ralentar o movimento

Meu dono, meu deus

Um autor que ainda vive

Mas que já não conta

Com a vida do seu títere

Eu-títere

Produzindo ostracismos

Decadence

Avec

Decadence

Sans

Élégance


domingo, 25 de outubro de 2020

Feline

Te vi manse se esgueirar sob o carro

Flagrei-te intruse em teu passeio enluarado

Rasguei com a boca um som pra te atentar

Parou imóvel me olhando sem cessão

Não mexe rabo nem nada, não pisca

Fixo ou fixa

Vai dar teu passeio, feline

Chamei tua atenção só pra te atentar

Move uma orelha

Mexe cabeça

Outra coisa está mais a te chamar

Retorna pra mim

E ao meu menor desfoque

Vai pra onde já queria ir

Sou eu

Como sempre

Atraindo gatos

Pra baixo de carro


quinta-feira, 1 de outubro de 2020

postagem

pega desprevinido

um soquinho no fundo

uma fisgadinha na mente

pega de jeito

pega um bocado

vem do nada

um respiro estranho

um soprinho maldoso

um ventinho malvado

porque machuca

bate frio nesse calor desértico

molha meu corpo inteiro

nesse seco tempo que faz aqui

mas molha quente

molha chá

molha incômodo

por ainda incomodar

um respiro errado

um passeio pela imagem

que não pôde ser

e da que é

mas que eu não sei

"tentar evitar postagem"

escrevo pra mim mesmo

porém, paciência

farei enquanto preciso for

sábado, 5 de setembro de 2020

selvagem

colando
de um lado pro outro
de um verso pro outro
uma letra na outra

e se fosse apenas isso que eu tivesse pra dizer?

justo
reto
certeiro
feito
a
intenção
de
um
animal
uma
patada
uma
mordida
seguido
de
um grito
um rugido
e fim

simples intenções
primitivas intenções

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

memória_

interessante como agosto passou
esse não_mês
reclamado
inaugural

marcar presença
marcar ausência
é marcar

dizem que a pele é o maior órgão do corpo
humano

eu já acho que é a memória uma coisa que espalha mais que pele

tá por dentro
tá por fora
tá nas coisas
e na metafísica das coisas

memória dói.
participa.
alegra.
move.

eu tenho sede de me prender pelo impulso elétrico de cada sinapse
viajar na temporalidade
e beijar,
de uma só vez,
camada sobre camada,
memória sobre memória,
todos aqueles beijos.

 memória não apaga. memória_pele. memória_palavr_. me_ór_a.

traUma

é tanta coisa rondante instante estante é falante ouvir o fonema frus da palavra frustrante e falar o trante difícil, inaudível deselagante ...